Como funciona o processo de formação feminista da AMB

Convite à Militância:

A Política de Formação Feminista da AMB é um processo auto-organizado estimulado e orientado pela Coletiva Nacional de Formação e pela Coordenação Executiva Nacional.

Construída a partir da Coletiva Nacional de Formação, e, no âmbito estadual, pelas Coletivas Estaduais de Formação, a formação passa a ser organizada e colocada em prática, em cada localidade, por quaisquer grupos de mulheres que desejem realizá-la. Em especial, por aquelas que participam dos agrupamentos estaduais da AMB, tomando por base os subsídios aqui disponibilizados.

Confira as nossas três linhas prioritárias de formação:

1 – AMB e Movimentos Sociais: Esta linha de formação é voltada com prioridade para as companheiras que estão na coordenação dos agrupamentos estaduais, na Plenária Nacional da AMB, na Coordenação e Secretaria Executiva da AMB. As atividades devem ocorrer de forma continuada, dada a renovação permanente nestes espaços de participação de nosso movimento. Os instrumentos desta formação serão documentos produzidos para este fim e documentos-memória de ações  da AMB.

Os conteúdos mais relevantes nesta linha de formação são: análise de conjuntura e dos desafios de atuação política na AMB; nossa metodologia de coordenação, de tomada de decisão, nossas políticas  (de aliança, de formação, de comunicação); a metodologia de estruturação das lutas feminista na AMB e de articulação das lutas sociais; o lugar da AMB no campo do feminismo latino-americano e no campo dos movimentos sociais.

O espaço de formação geral sobre a AMB, precisará ser constituído nos momentos de reuniões nacionais da Plenária da AMB e da Coordenação e Secretaria, precedendo ou sucedendo estas reuniões e nas reuniões regionais.

2 – AMB e Lutas Feministas: Esta linha de formação deve aglutinar o maior número possível de militantes de cada frente de lutas da AMB e o conteúdo central será a  problemática de cada luta nos diferentes contextos nos quais atuamos. Esta linha de formação é articulada pela coordenação junto com as companheiras mais engajadas em cada frente de lutas da AMB.

As atividades tem por objetivo: Construir coletivamente uma visão própria da AMB sobre a causa/problema de determinada Frente de luta; Definir os objetivos de curto e médio prazo para nossa luta nesta causa; Elaborar a fundamentação e as estratégias da luta, considerando o que está acumulado no movimento e os desafios da conjuntura em cada contexto de nossa militância.

As atividades serão de dois tipos: oficinas nacionais para incidência política e cursos itinerantes.

Oficinas nacionais para incidência política: Esta é uma prática que já vem sendo experimentada na luta pela legalização do aborto e na luta pela reforma política. As oficinas preparam grupos de militantes para ações imediatas num determinado momento de nossa luta. Iniciam com uma reflexão da experiência de cada uma no enfrentamento da problemática em pauta, socializa o que está acumulado na AMB, promove análise de conjuntura e preparar a atuação imediata (intervenção num determinado contexto e situação). Além do resultado político, alcançado com a intervenção imediata, as oficinas devem produzir também, resultados organizativos: lista de contatos das militantes de uma mesma luta, planos de atuação locais, revisão continuada da estratégia geral de luta da AMB frente a problemática em pauta. Seus resultados devem ser publicados em boletins eletrônicos ou impressos.

Cursos Itinerantes: Uma primeira experiência foi a formação em violência contra a mulher, realizada em encontros regionais. Os cursos aprofundam a análise da problemática específica da questão em discussão. Promovem o  intercâmbio e autoreflexão sobre as experiências das mulheres no aspecto específico focado pelo curso,  estimulam a revisão das práticas políticas do movimento e da AMB nesta luta e constroem um marco conceitual e político do problema próprio da AMB com base no que está acumulado no pensamento feminista. Devem, sempre que possível, resultar em publicações (Caderno de textos)  do que foi acumulado.

3 – PERSPECTIVAS FEMINISTAS DA AMB: Esta linha de atuação articula a formação sobre a situação das mulheres  e  sobre a forma como funciona a sociedade e os sistemas de dominação. Esta linha é composta por atividades auto-gestionada e descentralizada, organizadas na forma de Grupos de Alto Formação. A recomendação é de que o grupo tenha uma media de 10 integrantes, que atuarão juntas durante certo tempo em favor de sua própria auto-formação feminista.

A instalação de um grupo de autoformação é iniciativa de cada grupo formado em diferentes localidades onde existam integrantes da AMB e por iniciativa destas. Recomenda-se que durante o processo de instalação do grupo seja realizado um contato com alguma integrante do coletivo de formação para que se fortaleçam os vínculos do grupo com a AMB. Uma vez que as companheiras da Coletiva de formação da AMB podem acompanhar e apoiar o funcionamento do grupo até o momento de conclusão da formação.

Outro ponto de apoio importante para a autoformação é a Universidade Livre Feminista que coordena e oferece outros cursos de formação.

Interessou? Vamos lá!

Processo dos grupos de auto-formação: Tem por objetivo cumprir um currículo minimo de formação política geral e de formação feminista e estimular a produção de sínteses do que for coletivamente elaborado. Cada grupo deve trabalhar com um programa dividido em 10 módulos, organizando a ordem dos módulos e a duração de cada módulo conforme os interesses da turma. O módulo inicial indicado será sempre o de formação política e pedagogia feminista. Os demais módulos podem ser ordenados de forma diferenciada por cada turma, com os temas:

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Roteiro: AMB, movimento feminista e o feminismo nas nossas localidades

Texto Base: Feminismo como movimento social

Texto Complementar: OLIVEIRA, Guacira – Desafios do Feminismo

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Roteiro: As mulheres e a categoria política ‘mulheres’

Texto Base: Nós Mulheres e nossa experiência comum

Texto Complementar: PISCITELLI, Adriana Re-criando a categoria Mulher

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Roteiro: Correntes do pensamento feminista e o feminismo da AMB

Texto Base: O que é feminismo

Textos Complementares: BAIRROS, Luiza – Nossos feminismos revisitados e GURGEL, Tema – Um sujeito chamado feminismo

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Roteiro: Relações sociais de gênero, raça e classe

Texto Base: Relações Sociais de gênero, raça e classe

Texto Complementar: CARNEIRO, Suely – Gênero, raça e ascensão social

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Roteiro: Patriarcado, capitalismo e racismo

Texto Base: Patriarcado e a situação das mulheres

Texto Complementar:

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Roteiro: Feminismo Negro

Texto Base:

Texto Complementar: CARNEIRO, Suely – Mulheres Negras e Poder

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Roteiro: Heteronormatividade e sexualidade

Texto Base:

Texto Complementar:

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– Roteiro: Estado, políticas públicas, justiça e igualdade

Texto Base: Articulando a Luta – Democratização da gestão

Texto Complementar: CFEMEA -Trilhas Feministas na Gestao PúblicaAGUIAR, Diana – Análise da crise global e AMB – Articulando a Luta – CNPM.

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– Roteiro: Poder, participação política, auto-organização das mulheres e sistema político

Texto Base: Participação Política das Mulheres

Texto Complementar:

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– Roteiro: Movimentos sociais, lutas sociais e transformação social

Texto Base: RODRIGUEZ, Graciela – Movimentos Sociais e as Lutas das Mulheres

Textos Complementares: DANTAS, Silvia – O que são Movimentos SociaisNEIM-UFBA – O Feminismo no Brasil e RODRIGUES, Almira – Mulheres, movimentos sociais e partidos políticos.

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