A AMB e a Luta Antirracista

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Desde a sua fundação, a AMB  tem pautado a luta antirracista, com o reconhecimento e fortalecimento do feminismo negro, o respeito à diversidade étnica, defendendo a autodeterminação dos povos. Nesta trajetória, podemos destacar a participação ativa na mobilização das mulheres negras para a Conferência Mundial Contra o Racismo como um dos marcos mais importantes na construção do posicionamento anti-racista da AMB. Isso, por conta do rico aprendizado decorrente da interlocução e aliança com as organizações de mulheres negras, algumas recém-criadas, e pela instalação dos Diálogos contra o Racismo.

Os diálogos foram uma série de três encontros, realizados antes e depois da Conferência de Durban, reunindo diferentes organizações, entre elas a AMB, com o fim de debater as posições e divergências sobre o racismo, compreendido como questão pertinente a toda a sociedade brasileira, ou seja, como uma questão da luta por uma sociedade democrática. Este período também foi marcado pelo processo que culminou com a Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras (Brasília, Junho 2002), da qual resultou a Plataforma Política Feminista.

A Conferência reuniu diversos segmentos dos movimentos de mulheres, numa aliança de diferentes redes do feminismo brasileiro (sindical, popular, indígena). A AMB já neste período decide-se pela afirmação do caráter anti-racista de seu feminismo, passando a assinar o Boletim Articulando Eletronicamente como “uma articulação feminista anti-racista”. Esta foi a forma encontrada para marcar e recordar, permanentemente, nosso compromisso político com a luta pela igualdade e contra o racismo.

Nos anos seguintes, entre 2003 e 2005, a AMB e organizações parceiras realizaram atividades no I Fórum Social Brasileiro (Belo Horizonte/2003), I Fórum Social das Américas (Quito/2004) e Fórum Social Mundial (Porto Alegre/2005), buscando enfrentar o debate sobre as desigualdades de gênero e raça no continente americano e a produção e reprodução da pobreza e exclusão. Em 2005, as contribuições destes seminários foram disseminadas através de uma nova publicação: “Políticas de Ajuste X Políticas de Inclusão – Gênero e Raça nas políticas públicas”.

O ano de 2005 também é marcado pelo engajamento nos debates da Conferência de Promoção da Igualdade Racial, realizada em Brasília, de 30 de junho a 02 de Julho, e na Marcha Zumbi +10 (novembro do mesmo ano), quando foram novamente retomadas como referências para a ação feminista as análises e posições do movimento de mulheres e feminista no Brasil frente à desigualdade racial, consolidadas na Plataforma Política Feminista.

A partir de 2006, depois de um seminário sobre a questão racial na reunião nacional do comitê politico , a AMB decidiu se engajar no fortalecimento da luta sindical das trabalhadoras domésticas. E em 2008, decidiu-se criar a frente de luta pelo fim do Racismo e do etnocentrismo. Se compreendeu a importância de ter uma frente específica para a luta pelo fim do racismo, mais compreendendo que esta questão também perpassava por todas as outras lutas prioritárias desta articulação.

Em 2011 AMB construiu uma campanha nacional trazendo como eixo central a violência contra as mulheres negras, “solte seus cabelos e prenda o racismo”, realizandoações de cabelaço e promovendo debates internos e externos.

Em 2014 realizamos os Diálogos Feministas entre as mulheres Negras e indigenas, durante o Fórum Social Pan-amazônico. Nestes últimos 2 anos a AMB tem se engajado na construção nos estados da Marcha das Mulheres Negras e mais recentemente está colocando como prioridade a luta contra a redução da maioridade penal e a luta contra o genocídio dos jovens negros.

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