Articulação de Mulheres Brasileiras na luta contra o Golpe e contra a renúncia da presidenta Dilma Rousseff

Na atual conjuntura política, a Articulação de Mulheres Brasileiras, uma organização feminista autônoma e não partidária, vem a público apresentar sua indignação e protesto contra a nova tentativa de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Consideramos que exigir a renúncia ao mandato para uma eventual realização de novas Eleições diretas para a Presidência, é forçá-la a capitular ao Golpe.

O processo que o país atravessa é, no nosso entendimento, consequência de um sistema político corrupto, que precisa ser mudado. Sabemos que as elites econômicas não têm o menor interesse nesta reforma. Por outro lado, a justiça brasileira tem sido historicamente branda com os setores ricos da sociedade, e truculenta para com a classe trabalhadora – homens e mulheres.  Nada indica que o Tribunal Superior Eleitoral/TSE ou o Supremo Tribunal Federal/STF serão isentos durante e após essas supostas eleições. Existem vários processos em curso, na justiça eleitoral, contra parlamentares corruptos, partícipes do golpe que pretende derrubar a Presidenta, que até hoje não foram julgados, especialmente contra o Deputado Federal Eduardo Cunha, o Senador Renan Calheiros e o Vice-Presidente da República Michel Temer.

Sabemos também que as elites brasileiras estão com dificuldade de concluir o golpe porque, aos poucos, a população brasileira vem percebendo que o impeachment nada mais é do que uma tramoia para impor ao povo brasileiro medidas antipopulares de subtração de direitos duramente conquistados na Constituição de 1988. Um novo processo eleitoral para a presidência, no nosso entendimento, seria uma forma de legitimar o golpe através do voto popular.“Ora, se há sufrágio, não é golpe”!, seria a alegação. Seria uma tentativa de resolver o impasse através de acordo entre as elites, à revelia de um posicionamento do povo brasileiro.

Acreditamos que por detrás de toda a conspiração antidemocrática em curso, que tem no Congresso Nacional seu locus estratégico, está o objetivo de desmobilizar os movimentos sociais que vêm denunciando as medidas retrógradas contra a cidadania de modo geral e contra a classe trabalhadora – homens e mulheres. Disto é exemplo o projeto do vice-presidente Michel Temer, que é partícipe desta conspiração, denominado Uma Ponte para O Futuro. Melhor seria nomeá-lo com o título: Uma Ponte para o Passado.  Outros exemplos são a Lei das terceirizações, a redução dos gastos com as políticas públicas de saúde, educação e assistência social e as privatizações das empresas estatais.

Consideramos que esta nova tentativa de golpe é mais uma articulação de cunho patriarcal e misógino para tirar do poder uma presidenta legitimamente eleita. Nossas elites não aceitam ser governadas por uma mulher. Não aceitam que mulheres participem da vida e das decisões políticas brasileiras. As parlamentares mulheres que conquistaram assento no Congresso são humilhadas e agredidas pelo simples fato de serem mulheres. Inúmeros parlamentares têm afirmado publicamente que as mulheres devem cuidar apenas do lar. Para estes, ter uma mulher presidenta, governando o Brasil, é o que basta para que esta atraia seu ódio. Um ódio que respinga em todas nós, mulheres!

Nós, da Articulação de Mulheres Brasileiras, somos contra a proposta de eleições presidenciais neste momento da conjuntura nacional.

Continuamos na luta contra o Golpe, e nos posicionamos contra a renúncia da presidenta Dilma Rousseff!

Ocuparemos as ruas e mobilizaremos a população!

Por mim, por nós e pelas outras!

 

02 de maio de 2016

Articulação de Mulheres Brasileiras

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