Articulação de Mulheres Brasileiras em LUTO: na LUTA pelo Tekohá Guarani Kaiowá

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Tekohá é vida, trabalho, alimento, floresta e deveria ser o lar de cerca de 300 indígenas que se encontram em área de retomada no estado de Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. São cerca de 9.300 hectares homologadas pelo Governo Federal há 10 anos, mas com decreto suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Com uma década de espera pelo julgamento do STF, indígenas de etnia Guarani Kaiowa ocuparam a área indígena Ñanderu Marangatu e foram fortemente hostilizadxs e violentadxs pelxs representantes do agronegócio, do poder público em suas três esferas, executivo, legislativo e judiciário, e da mídia.

Não aceitamos que o povo Guarani Kaiowa, o segundo maior povo indígena do país, seja tratado com brutal violência. Defendemos seus direitos ao território, que seu tekohá seja demarcado para que possam viver a seu modo, cultivando seus exemplos de respeito e cuidado com a terra.

No último dia 29 de agosto, o conflito pela terra custou a vida do indígena Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos. As pessoas que ali sobrevivem lutam bravamente para não perderem mais nenhum guerreiro e nenhuma guerreira e também lutam pelo alimento, pelos direitos básicos a dignidade humana que estão sendo negados pelo Estado que ainda não solucionou a morte de Semião, tampouco se posicionou sobre outra solução ao conflito que não o envio de tropas oficiais e armadas para a área, que somarão seu poder de fogo ao de fazendeirxs e pistoleiros da região.

Muitas mulheres e homens estão nesse momento sofrendo as consequências de uma guerra incitada pelo ódio e pela ganancia enquanto os povos originários deste solo vivem precariamente, expulsxs das terras com as quais se relacionam respeitosa, sustentável e espiritualmente. Em nome do agronegócio, o que vemos é a omissão e morosidade da regularização de terras sagradas para um povo com fortes sentimentos de pertencimento aos territórios de origem.

Vivendo em pequenas reservas no estado de Mato Grosso do Sul, indígenas enfrentam graves problemas como a superlotação das aldeias, o alcoolismo e a violência em níveis elevados.

Sem infraestrutura e sem paz, o povo guarani kaiowa vive resistindo, com a esperança de que a justiça seja feita e que o Brasil os reconheça. Nós, Articulação de Mulheres Brasileiras, apoiamos a devolução de seu tekohá, devidamente regularizada.

ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS EM LUTO, NA LUTA PELO TEKOHÁ GUARANI KAIOWÁ 

Assinam esta nota:

Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)

Articulação de Mulheres Brasileiras – RJ

Articulação de Mulheres do Amapá

Articulação de Mulheres do Amazonas

Articulação de Mulheres do Mato Grosso do Sul

Articulação de Mulheres do Mato Grosso

Articulação de Mulheres Brasileiras- Rio de Janeiro

Articulação de Mulheres Brasileiras – São Paulo

Fórum Cearense de Mulheres

Fórum Goiano de Mulheres

Fórum Estadual de Mulheres Maranhenses

Fórum Estadual de Mulheres do Piauí

Fórum Estadual de Mulheres do Rio Grande do Norte

Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP

Fórum de Mulheres do Distrito Federal e Entorno

Fórum de Mulheres do Espírito Santo

Fórum de Mulheres de Lauro de Freitas (BA)

Fórum de Mulheres de Manaus

Fórum de Mulheres de Pernambuco

Fórum de Mulheres de Santa Catarina

Fórum de Mulheres de Sergipe

Fórum de Mulheres do Tocantins

Núcleo de Mulheres de Roraima

Rede de Mulheres em Articulação da Paraíba

 

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4 thoughts on “Articulação de Mulheres Brasileiras em LUTO: na LUTA pelo Tekohá Guarani Kaiowá

  1. Apoio INTEGRALMENTE o Movimento das Mulheres Brasileiras em luto, na luta pelo Tekohá Guarani Kaiowá. Com a devida vênia, faço minhas as palavras supra textuais aqui postadas.Solidarizo-me em defesa da causa dos legítimos donos do território brasileiro, os povos indígenas. É execrável a morosidade do STF e não temos dúvidas de que é em proveito dos latifundiários do agro negócio. 80% do Congresso é de cidadãos que estão de mãos dadas com o latifúndio de uma forma ou de outra.

  2. Apoio integralmente. Somos todos Guarani Kaiowá. Muito triste ver pessoas tão boas nessa situação. Conheço muitos deles pessoalmente. O que será dos jovens e crianças indígenas que conheci?

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