ÀS MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS, LATINO-AMERICANAS E CARIBENHAS QUE SEGUEM EM LUTA

Neste 25 de Julho, nós da Articulação de Mulheres Brasileiras saudamos todas as mulheres negras brasileiras, latino-americanas e caribenhas. Compartilhamos os sentidos de luta que fazem a memória desta data. Como movimento feminista que se constrói pela ação de mulheres negras, brancas e indígenas, reafirmamos a importância do pensamento feminista negro para a transformação do mundo e do próprio feminismo. Sua força nos posiciona veementemente contra o racismo sexista e nos impulsiona em marcha contra esta grave mazela, denunciando os privilégios da branquitude neste país multirracial.

Para nós, este dia é, fundamentalmente, uma convocação à denúncia. Numa sociedade baseada no colonialismo patriarcal, escravocrata e estuprador, as 49 milhões de negras brasileiras continuam nos trabalhos mais precários, desprotegidos e de menor remuneração. Aquelas entre 16 e 24 anos têm três vezes mais probabilidade de sofrer violência sexual e duas vezes mais de ser assassinadas que mulheres brancas e, quando lésbicas, estão mais suscetíveis a estupros corretivos.

O aborto inseguro e ilegal no Brasil é uma das principais causas de morte materna, afetando primeiramente as mulheres negras, que também são as principais vítimas de violência doméstica e enfrentam, cotidianamente, o racismo institucional. Na tragédia do extermínio do povo negro, o sofrimento dessas mulheres é aumentado e desconsiderado no debate público. Elas são ainda sub-representadas nos parlamentos, governos, universidades, sistema de justiça, mídia, partidos políticos e na maioria das institucionalidades dominantes. Além de suas questões serem pouco consideradas nos próprios movimentos sociais.

Elas também são vítimas de violência simbólica – estereotipadas ora na hipersexualização de seus corpos, ora na suposta inclinação “natural” para os sofrimentos e cuidados domésticos. Este imaginário social violenta as mulheres negras desde a infância, abalando sua autoconfiança e dificultando a construção de uma identidade negra positiva, não centrada nos valores da branquitude.

Contudo, as mulheres negras acumulam histórico de lutas e resistência desde sempre. As fugas, a recusa aos “senhores”, o financiamento da liberdade, a organização nos quilombos, irmandades e religiões de matriz africana, até a liderança em grupos, partidos políticos e movimentos sociais, são expressões dessa resistência. Também o são, as organizações do movimento de mulheres negras de nosso tempo e as iniciativas coletivas que articulam.

Destacamos em especial a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, grande mobilização protagonizada pelas mulheres negras, que acontecerá em 18 de novembro de 2015. A AMB tem se engajado nessa marcha, apoiando e construindo processos coletivos nos estados.

Assumimos o firme propósito de contribuir para o enfrentamento ao racismo sexista, fomentar as iniciativas de lutas coletivas das mulheres e, sobretudo, fortalecer o movimento de mulheres negras no país como sujeito legítimo de seus processos de emancipação e de transformação do mundo.

Força e Axé a todas as mulheres negras das cidades, campos, florestas, quilombos e das comunidades tradicionais! Seguimos juntas e atentas!

ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS

25 de Julho de 2015

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