Nota de solidariedade às meninas e mulheres Paraguaias

Neste mês de maio, a República do Paraguai cometeu mais uma violência institucional como vêm fazendo os Estados Americanos que se negam a discutir o aborto e a ouvir as necessidades de nós mulheres sobre a autodeterminação reprodutiva, sobre o respeito, o direito ao nosso corpo e a nossa dignidade.

Condenada ao silêncio e a crueldade, uma criança de 10 anos, vítima de estupro, vive uma gravidez forçada pelo poder público paraguaio que se recusa a garantir-lhe o acesso ao aborto seguro, sob a justificativa de que sua vida não está em risco, uma vez que a legislação nacional do Paraguai só permite o aborto legal em caso de risco de vida para a mulher.

Nós mulheres não suportamos mais tanta violência e não podemos tolerar que meninas e mulheres sejam reféns da obsoleta política de repúblicas democráticas que se apropriam dos nossos corpos, nos pré-destinam às relações de poder que cerceiam nossa sexualidade, nosso desejo e controlam nossa capacidade reprodutiva.

Quando se trata de uma criança violentada, incapaz de discernir sobre sua própria vida e que é obrigada a sustentar uma gravidez resultado de tantas outras violações sofridas, a situação é muito grave, demonstrando que a ausência do Estado na garantia dos nossos direitos e proteção da criança tem consequências devastadoras sobre nossas vidas, colocando-nos em risco iminente de morte, mas também de sanidade física e psicológica.

A recusa em garantir o acesso ao aborto seguro a esta criança é a maior afronta que o Estado Paraguaio pode cometer contra sua sociedade. Essa postura política fere mais a nós mulheres do que a própria lei defasada do aborto legal no país, pois ela nos revela que a própria cultura política do Estado desonra e humilha suas crianças e mulheres.

A Articulação de Mulheres Brasileiras manifesta através desta nota toda a solidariedade de nós, mulheres brasileiras, às meninas e mulheres Paraguaias!

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