Porque nossas bocas são fundamentais contra os fundamentalismos

Por Bia Veigas e Ariana Tozzatti

Se trilharmos a história da humanidade, encontraremos em períodos como o início da Santa Inquisição e de outras ditaduras fundamentalistas uma preocupante semelhança com o contexto atual vivido no Brasil. Se faz necessário pararmos esse ciclo antes que seja tarde.

A ascensão dos neo-protestantes no Brasil pode ser comparada ao crescimento do islã em todo o mundo. Atualmente os países árabes têm religiosos como liderança política, baseando suas condutas em sua própria interpretação de seu livro sagrado, o Alcorão. Já no Brasil, muitos dos cargos políticos tem sido ocupado também por religiosos, que pautam suas decisões na Bíblia, quando na verdade se tratam de defesas particulares de um grupo em detrimento dos interesses gerais da sociedade.

Podemos relacionar os retrocessos enfrentados na área de Políticas Públicas para Mulheres e a desvalorização da mulher na sociedade ao vivido no início da transição para o fundamentalismo em diversos outros locais. Perseguição aos movimentos sociais também são comuns e já se tornam mais explícitas a cada dia.

Outro fator preocupante é a disseminação do ódio às diferenças e a desvalorização da democracia, já que se devemos seguir “os escritos de um livro” à interpretação de quem o impõe. A diversidade é um dos primeiros elementos naturais da sociedade a serem combatidos.

Com a democracia enfraquecida e a massa envolvida com sua fé, governos são derrubados e a tomada do poder direta ou indiretamente por religiosos e seus aliados acaba por ocorrer. A garantia da laicidade sempre esteve distante da realidade brasileira. Na atualidade ainda mais, já que os preceitos neo-protestantes tem influído diretamente nas decisões políticas do país, que se tornam cada vez mais exclusivas e opressivas. A contra mão dessa garantia está proposta na política interna cristã de participação político-religiosa que tem negado desde a cultura afro até os direitos básicos na educação e por fim, no direito de decidir sobre o corpo da mulher.

O caminho para a implementação do fundamentalismo no país se fortalece mais e mais quando a população é privada de uma visão ampliada de sua sociedade e acaba limitada pela influência da igreja não só no que diz respeito à fé, mas em suas decisões políticas e sociais como cidadãos. Para os fieis é ensinado que não se deve questionar a palavra de Deus, e pastores, sendo vistos como representantes de seus direitos, portanto não devem ser contrariados.

Precisamos unir toda a força possível para impedirmos o avanço do fundamentalismo na política, ou estaremos fadadas a um período de grandes sofrimentos.

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