Margaridas demarcam posição frente à atual conjuntura política nacional e combatem qualquer tipo de desrespeito, intolerância, incitação ao ódio e violência contra as mulheres

Desde o processo eleitoral, tem se mostrado cada vez mais clara a disputa de projetos na sociedade, reflexo do antagonismo entre classes sociais no Brasil. Neste momento, está ainda mais explícito o papel da grande mídia como um importante ator na formulação da opinião pública, que busca, de forma nada neutra, chegando ao ponto de incitar e provocar o ódio entre as pessoas, como ocorreu no dia 8 de março, com publicação de uma ilustração que mostra a presidenta de joelhos, prestes a ser degolada por um terrorista. A charge é uma demonstração de ódio, machismo e misoginia à presidenta Dilma Rousseff.

Companheiras, mulheres de todo o Brasil, trabalhadoras do campo, da floresta e das águas, mulheres trabalhadoras das cidades, SEGUIMOS EM MARCHA! A conjuntura que se desenha pós-eleições exige que as Margaridas assumam a mesma postura que lhes exigiu coragem e ousadia para reconduzir Dilma Rousseff à Presidência da República, contra a candidatura apoiada massivamente pelos setores conservadores. Findada as eleições, entendemos que devemos seguir na luta nos afirmando neste momento de disputas como sujeitos de direitos e sujeitos políticos a fim de garantir reformas políticas capazes de proporcionar mudanças em estruturas históricas que ainda sustentam as desigualdades e a discriminação no Brasil.

Não podemos admitir que jornais, como “O Globo”, atentem e ameacem a mulher que hoje preside nosso país em pleno Dia Internacional de Luta das Mulheres, com uma charge que anuncia um atentado à vida da Presidenta do Brasil. Como mulheres, não aceitamos a incitação à violência contra as companheiras como algo banal, nem tampouco a aceitação de tais pressupostos. Este tipo de ação agride não só a presidenta Dilma Roussef, mas a todas as mulheres, e a todos os cidadãos e cidadãs de bem.

Durante o ano de 2014, trouxemos através da construção do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político o debate sobre a necessidade de uma Reforma Política que traga mudanças no sistema político, que possibilitem o acesso, a atuação e a representação, de fato, de todos os setores da sociedade, em especial os mais excluídos e descriminados, como as mulheres. O contexto e o resultado das eleições nos mostrou a necessidade urgente de continuarmos nos mobilizando em busca de uma sociedade verdadeiramente democrática e de fortalecermos nossa auto-organização, para garantirmos e ampliarmos os direitos das mulheres.

Temos assistido de maneira perplexa a atitude voraz dos que defendem um projeto de direita, que têm deixado claro que não aceitam os resultados das eleições de 2014, e que, não sendo possível um golpe de Estado, apelam para o Impeachment de Dilma Rousseff da Presidência da República. Como se não bastasse, temos assistido nas ruas, após as eleições, o manifesto dos que pediam a volta da ditadura, sob o subterfúgio de defesa da Democracia. Infelizmente não viveram para provar da ditadura militar, e mal sabem que as duas defesas são antagonicamente opostas, pois em uma ditadura não existe democracia, e nela as pessoas são impedidas de manifestarem o que pensam. Não queremos voltar a ver nosso país oprimindo os/as jovens que apenas querem uma oportunidade, tendo suas vozes silenciadas.

Companheiras e companheiros, vivemos hoje um outro projeto de sociedade: os/as jovens que ontem foram presos/as e criminalizados/as na luta pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária e que enfrentaram o ódio raivoso das elites, hoje veem, como resultado de muitas lutas, a eleição do primeiro operário presidente do País, seguida da primeira mulher, ex-prisioneira da ditadura Presidenta do Brasil.

As sucessivas tentativas de ataque usando como argumento a corrupção na Petrobrás, foram seguidas do anúncio de seus verdadeiros interesses, ao vermos na grande mídia opiniões tendenciosas de que o Brasil deveria privatizar a Petrobrás, pois o governo não teria competência para administrá-la. Nos opomos a toda e qualquer tentativa de privatização de nosso patrimônio: não será vendendo uma empresa, que é do povo brasileiro, que contribuiremos para diminuir o preço da gasolina. Sabemos que o preço da gasolina extrapola as condições e definições do governo brasileiro de preço de mercado, sendo comandado por uma bolsa de valores. Apoiamos as investigações que vêm sendo realizadas no enfrentamento à corrupção e reconhecemos a importância deste passo nunca antes dado por outros governos. Não podemos esquecer que a corrupção não começou a existir agora, nasceu há muito tempo e vem se perpetuando: o importante é ver ações que têm buscado, de fato, combater essa realidade.

Nós, Margaridas do campo, da floresta e das águas, sabemos que modelo de desenvolvimento defendemos nessa disputa de Projetos: nossa Plataforma de Lutas inclui a defesa da soberania alimentar, da sociobiodiversidade, da agricultura familiar e agroecologia. Não aceitamos reorientações na política econômica em favor do capital, nem queremos pagar pelos custos do ajuste fiscal. Atualmente, o Estado é, ao mesmo tempo, protetor e opressor: é portador do interesse geral e defensor dos privilégios, e patriarcal e violento (contra as mulheres, povos indígenas, migrantes, de diferentes raças e etnias). Queremos avanços! O Estado que nós demandamos deve promover as liberdades e direitos para todas e todos, intervir na economia em favor da garantia dos direitos humanos e estar estruturado em diferentes formas de democracia participativa e controle cidadão.

Para seguir nesta direção, entendemos que a atuação dos Movimentos Sociais é decisiva nas disputas. Precisamos enfrentar muitos ódios e preconceitos que têm protagonizado a disputa de classes. O exemplo de força e coragem de nossa companheira à frente do comando de nosso País nos dá força para lutar. Lutaremos para que o resultado das urnas seja respeitado! Para isso, conclamamos todas as companheiras e companheiros a participem dos atos programados para o dia 13 de março, em todos os estados, quando fortaleceremos a unidade das mulheres e da classe trabalhadora, e reafirmaremos o nosso desejo de construir um novo modelo de desenvolvimento mais democrático, justo e igualitário, que reconheça a importância das mulheres na sua construção.

Margaridas seguem em Marcha por Desenvolvimento Sustentável
com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade

 Carta da Marcha das  Margaridas – 12/03/2015

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